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A Música da África



África Ocidental  
África Central     
África Oriental     
África do Norte



Evidentemente, a expressão Música da África é inapropriada para descrever a produção musical deste vasto continente de culturas tão distintas e ancestrais, considerado berço da humanidade. A música elaborada na África do Norte, por exemplo, é bastante diversa daquela produzida na África Central, e, mesmo entre os países de cada região, há uma imensa gama de sonoridades e estilos. O uso do rótulo Música da África, como tantos outros, é apenas funcional, para facilitar a navegação ou proporcionar uma leitura rápida do assunto.

Todos sabem como a música africana influenciou a música ocidental, dando origem ao blues, ao jazz, ao samba, à salsa, à rumba e a vários outros gêneros, em conseqüência do perverso tráfico de escravos para o Novo Mundo. Sem a colaboração da cultura negra, que trouxe para cá a música da África em estado puro, não haveria o rock, a bossa nova, o reggae, o rap e a maior parte da música popular hoje escutada nesta metade do planeta.

Pena que, sob a égide da indústria musical norte-americana, nem todos saibam que muitos dos 54 países da África continuam a produzir novos gêneros de exuberante musicalidade, como o mbalax, do Senegal, o soukous do Congo e o afrobeat da Nigéria. E não é de hoje. Desde o início do século vinte, o continente esquecido vem revelando artistas de excepcional qualidade, como o senegalês, Youssou N'Dour, o congolês Papa Wemba e o nigeriano Fela Kuti.

Da África do Norte, região influenciada pela cultura árabe, à África do Sul, país com vários grupos étnicos e onze línguas oficiais, a música africana é um deleite para os ouvidos e um espetáculo para os olhos. As danças, os figurinos, os idiomas, tudo na África continua a encantar com a mesma poderosa força de quando o blues chegou à América.

No vídeo abaixo, Youssou N'Dour, do Senegal, e Rokia Traoré, do Mali, cantam Birima, com a formidável banda Super Etoile de Dakar






Peter Gabriel e a world music




A contribuição de Peter Gabriel para a world music se consolidar no mercado fonográfico foi de importância fundamental. O primeiro passo do ex-integrante do Genesis (um dos principais ícones da música progressiva) em direção à chamada world music veio a público em 1980, com a inclusão da melancólica Senzeni Na?, música tradicional da África do Sul, em seu terceiro álbum solo.

Neste mesmo ano, entusiasmado pela incrível sonoridade e pujança musical das várias culturas humanas espalhadas pelo mundo, Peter Gabriel começou a conceber a idéia de um festival onde a música, as artes e a dança de todos os povos da Terra pudessem ser apresentadas. Utopia ? Certamente, mas, como disse Oscar Wilde, "um mapa do mundo que não inclua a Utopia nem merece ser olhado".

Em 1982, já acontecia o primeiro festival WOMAD (World of Music, Arts and Dance), em Shepton Mallet, na Inglaterra. Um grupo de Gana, o Ekome Dance Company, que se apresentou no festival, participou do novo trabalho solo de Peter Gabriel, o avassalador álbum número quatro, também conhecido como Security.

A obra de Peter Gabriel e o WOMAD alcançaram estaturas colossais.  O festival disseminou-se pelo mundo inteiro e o músico britânico elaborou uma discografia seminal, sempre reinventando e abrindo novos caminhos. Talvez a maior projeção de seu trabalho com a world music tenha sido a soberba trilha para A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, com a qual ganhou seu primeiro Grammy. No álbum Passion, Peter apresentou diversos artistas excepcionais, como Nusrat Fateh Ali Khan, Youssou N'Dour, L. Shankar e Baaba Maal.

No vídeo abaixo, Youssou N'Dour, um dos maiores expoentes da música africana, canta In Your Eyes com Peter Gabriel.