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A Música da Ásia



Oriente Médio

Ásia Meridional (Sul da Ásia)

Ásia Oriental

Sudeste Asiático

Ásia do Norte e Ásia Central


Para facilitar a navegação pela música da Ásia, a intrincada e remota geografia do colossal continente asiático foi aqui dividida em cinco regiões.

Tão complexa quanto a geografia é a música da Ásia, cujas raízes históricas perdem-se nas profundezas do tempo e ainda hoje continuam a ser escavadas. Agora mesmo, no final do século vinte, foram descobertas na China flautas de 9 mil anos de idade, consideradas as mais antigas do mundo. E, além de instrumentos de sopro, a música chinesa tradicional utilizava variados instrumentos de corda e de percussão, como a cítara zheng e o tambor tanggu, que talvez tenham dado origem a cítaras e tambores semelhantes em toda a Ásia Oriental, do Japão à Mongólia.

Muito antiga e curiosa é também a música indiana, composta por uma infinidade de estilos musicais. Sua sonoridade encantou o Ocidente quando George Harrison introduziu a exótica cítara da Ásia Meridional (ou Sul da Ásia), no repertório dos Beatles. Harrison passou seis semanas na Índia, aprendendo a tocar o instrumento com ninguém menos que Ravi Shankar, o maior expoente da música clássica indiana, que poucos anos depois seria mundialmente incensado no célebre festival de Woodstock.

Já os países situados na porção continental do Sudeste Asiático, como Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, tiveram a música influenciada tanto pela cultura hindu quanto pela chinesa, enquanto os países insulares, como Indonésia e Filipinas, desenvolveram diferentes gêneros musicais.

Na Ásia do Norte e Ásia Central, onde estão situados os países da extinta União Soviética, como Rússia, Armênia e Uzbequistão, a música tem uma sonoridade típica. Sevara Nazarkhan, que costuma interpretar canções do folclore uzbeque com uma voz hipnótica, participou do dvd de Peter Gabriel, The Growing Up Tour, gravado em 2003.

Peter também mostrou sua paixão pela world music no antológico álbum Passion, lançado em 1989 com a trilha do filme A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese. Neste álbum fundamental, o músico britânico buscou a sonoridade de um Oriente Médio da época de Cristo, reunindo artistas extraordinários de várias partes da Ásia, como Nusrat Fateh Ali Khan, do Paquistão, L. Shankar, da Índia, e Kudsi Erguner, da Turquia.

No vídeo abaixo, L. Shankar toca a música Song for Everyone, com o consagrado saxofonista norueguês Jan Garbarek, acompanhados pelos músicos indianos Zakir Hussain e Trilok Gurtu. 

Peter Gabriel e a world music




A contribuição de Peter Gabriel para a world music se consolidar no mercado fonográfico foi de importância fundamental. O primeiro passo do ex-integrante do Genesis (um dos principais ícones da música progressiva) em direção à chamada world music veio a público em 1980, com a inclusão da melancólica Senzeni Na?, música tradicional da África do Sul, em seu terceiro álbum solo.

Neste mesmo ano, entusiasmado pela incrível sonoridade e pujança musical das várias culturas humanas espalhadas pelo mundo, Peter Gabriel começou a conceber a idéia de um festival onde a música, as artes e a dança de todos os povos da Terra pudessem ser apresentadas. Utopia ? Certamente, mas, como disse Oscar Wilde, "um mapa do mundo que não inclua a Utopia nem merece ser olhado".

Em 1982, já acontecia o primeiro festival WOMAD (World of Music, Arts and Dance), em Shepton Mallet, na Inglaterra. Um grupo de Gana, o Ekome Dance Company, que se apresentou no festival, participou do novo trabalho solo de Peter Gabriel, o avassalador álbum número quatro, também conhecido como Security.

A obra de Peter Gabriel e o WOMAD alcançaram estaturas colossais.  O festival disseminou-se pelo mundo inteiro e o músico britânico elaborou uma discografia seminal, sempre reinventando e abrindo novos caminhos. Talvez a maior projeção de seu trabalho com a world music tenha sido a soberba trilha para A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, com a qual ganhou seu primeiro Grammy. No álbum Passion, Peter apresentou diversos artistas excepcionais, como Nusrat Fateh Ali Khan, Youssou N'Dour, L. Shankar e Baaba Maal.

No vídeo abaixo, Youssou N'Dour, um dos maiores expoentes da música africana, canta In Your Eyes com Peter Gabriel.



O significado de world music



Logo no início dos conturbados anos 60, o etnomusicólogo Robert Edward Brown concebeu a expressão world music para reunir diversos gêneros musicais produzidos fora do mundo anglo-saxônico. Mais que um simples rótulo, o termo se assentava sobre um conceito filosófico que postulava o avanço da paz mundial através da música. No auge da Guerra Fria, enquanto a crise dos mísseis de Cuba assombrava o mundo, Brown promovia a integração cultural entre os povos, levando músicos da África e da Ásia para uma série de concertos na Wesleyan University de Connecticut, onde lecionava.

A partir de 1982, com a criação do festival WOMAD (World of Music, Arts and Dance) pelo músico britânico Peter Gabriel, a world music foi se consolidando como um rótulo fundamental na história da música. Artista genial e ser humano extraordinário, Peter Gabriel tem um longo currículo na divulgação da música tradicional de vários povos da Terra. Já em seu terceiro álbum solo, lançado em 1980, incluiu a canção folclórica sul-africana Senzeni Na?, cantada nos idiomas xhosa e zulu, na impactante faixa intitulada Biko. Composta em homenagem ao ativista negro Steve Biko, morto pelo brutal regime do Apartheid, a música galvanizou platéias ao redor do mundo e tornou-se um hino contra o segregacionismo então vigente na África do Sul.

Há vários outros músicos que divulgaram a world music, desde que George Harrison dedilhou a cítara indiana, mas a obra de Peter Gabriel é um divisor de águas. A partir do trabalho do inquieto fundador do Genesis, o significado de world music ficou cada vez mais amplo.

No vídeo abaixo, gravado em 1988, Peter Gabriel e Youssou N'Dour cantam Biko, em show dedicado a Nelson Mandela, na época  encarcerado. Dois anos depois, o grande líder do povo sul-africano sairia da prisão, para onde foi levado em 1962.




Viaje pelo mundo da música



Através da música é possível viajar pelo mundo e conhecer várias culturas e sonoridades. Foi o que fez, lá pelo início dos anos 60, o etnomusicólogo nova-iorquino Robert Edward Brown, criador da expressão world-music. Com o termo, Brown procurou abrigar um inestimável acervo de músicas folclóricas produzidas fora do mundo industrializado, onde a música já era tratada como um produto para consumo de massa.

Em um mundo cada vez mais globalizado, a tendência seria o predomínio absoluto de uma música pasteurizada e de fácil digestão, não fosse o trabalho de pioneiros como Robert Brown e Peter Gabriel, que, no início dos anos 80, concebeu o festival WOMAD (World of Music, Art and Dance).

Hoje, com a disseminação da música na internet, é possível assistir apresentações de artistas dos mais variados países, dispersos pelos cinco continentes. A experiência de ouvir instrumentos musicais exóticos, idiomas  melodiosos e músicas tradicionais de culturas remotas e inusitadas provoca uma sensação arrebatadora.

Participe também desta viagem pelo mundo da música.

No vídeo abaixo, Ali Farka Touré, do Mali, canta e toca guitarra africana na música Ai Du, com a participação especial de Toumani Diabate, tocando kora (instrumento típico da África Ocidental, espécie de harpa com 21 cordas), além de uma banda extraordinária.