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A Música do Mundo




Grupos e projetos multinacionais

Através do menu, o Viaje na Música propõe uma navegação geográfica inicial pelos cinco continentes para encontrar os artistas, instrumentos e gêneros musicais de cada país.

Porém, há muitos projetos e grupos de world music que juntam artistas de diferentes nacionalidades, como o Gotan Project, que agrega músicos da Argentina e da França, ou o Afro Celt Sound System, com integrantes da Europa, da Ásia e da África. Para identificar melhor estes grupos multinacionais, vamos lançar mão do rótulo Música do Mundo.

A expressão música do mundo, portanto, não é aqui a tradução literal para o termo world music, amplamente utilizado para definir a música tradicional ou a música folclórica das várias culturas humanas espalhadas pelo globo.

O Afro Celt Sound System, por exemplo, tem artistas da Inglaterra (Simon Emmerson, James McNally e Martin Russell), da Irlanda (Iarla Ó Lionáird e Emer Mayock), da Índia (Johnny Kalsi), da Guiné (N'Faly Kouyate) e do Senegal (Moussa Sissokho).

Os fabulosos álbuns do grupo são produzidos através da Real World Records, de Peter Gabriel, e as apresentações ao vivo, como no WOMAD, o mais conceituado festival dedicado à world music, costumam receber grandes elogios por parte da crítica especializada.

No vídeo abaixo, um clipe da música Release, do grupo Afro Celt Sound System, com participação especial de Sinéad O'Connor.







A Música da Oceania



Australásia
Melanésia
Micronésia
Polinésia


Geográficamente dividida em quatro regiões, pontilhadas de ilhas, a Oceania tem uma sonoridade ímpar dentro da world music.

A música da Oceania ainda é pouco divulgada no Ocidente. Da Australásia, certamente o instrumento musical mais conhecido por aqui é o didjeridou, utilizado na música aborígene da Austrália, mas a Nova Zelândia, Nova Guiné e Tasmânia também possuem uma cultura musical própria, anterior à influência européia.

Da Melanésia, sobressai o canto tradicional das Ilhas Salomão, chamado Rorogwela, que a banda de world music Deep Forest utilizou em seu álbum de estréia, em 1992. Também tradicional nas Ilhas Salomão é uma espécie de flauta em que o ar sai do nariz e entra pelos orifícios, produzindo um som característico, a chamada noseflute.

Das pequenas ilhas da Micronésia, como Kiribati, Palau e Nauru, às inúmeras ilhas da Polinésia, dispersas por uma gigantesca área do Oceano Pacífico, que vai da Nova Zelândia ao Havaí, a música da Oceania tem reverberações importantes. A guitarra havaiana, por exemplo, tocada na posição horizontal, já foi usada por muitos grupos de música country.

O grupo de world music mais popular talvez seja o Te Vaka, cujos integrantes são músicos de diversas ilhas, como Toquelau, Tuvalu, Samoa, Ilhas Cook e Nova Zelândia.

No vídeo abaixo, o Deep Forest, projeto de dois músicos franceses, Michel Sanchez e Eric Mouquet, utiliza uma canção tradicional das Ilhas Salomão na música Sweet Lullaby.



A Música da Europa



Europa Ocidental
Europa Oriental (ou Leste Europeu)
Europa Setentrional (ou Europa do Norte)
Europa Meridional (ou Europa Mediterrânea)



Entre as diversas formas de dividir as regiões européias, o Viaje na Música utiliza o modelo das Nações Unidas para facilitar a navegação pela música da Europa.

A contribuição da Europa Ocidental para a história da música é imensurável. Da obra erudita de Beethoven ao fenômeno dos Beatles, nossa cultura está impregnada de ícones daquela região européia. Mas foi depois que o rock progressivo e o new age começaram a utilizar elementos da música celta com virtuosismo e talento que o mundo descobriu o vigor de estilos até então populares apenas na Irlanda, Escócia, Galícia, País de Gales e Bretanha.

Assim como Peter Gabriel, que tem sua obra pontuada pela sonoridade celta, muitos outros artistas bebem nesta fonte primordial, com grande destaque na world music. É o caso do bretão Alan Stivell e do irlandês Iarla Ó Lionáird, que costumam cantar belas melodias em gaélico. Alan Stivell, a quem muitos atribuem o renascimento da harpa celta, já tocou com músicos de várias partes do planeta e Iarla Ó Lionáird faz parte do excelente grupo Afro Celt Sound System, formado por músicos europeus e africanos. Na França, o Deep Forest desenvolveu um tipo de world music que alguns chamam de música étnica eletrônica.

Embora a Música da Europa Oriental seja pouco divulgada fora de suas fronteiras, os paises do Leste Europeu, como Polônia, Ucrânia e Albânia, possuem uma sonoridade bastante rica, com forte influência também da música oriental.

Na chamada Europa Setentrional, destacam-se músicos como o saxofonista Jan Garbarek, da Noruega, que já tocou com grandes artistas de jazz, fusion e world music. Na região mediterrânea da Europa, a música espanhola tem grupos fantásticos, como Amparanóia, Chambao e Jarabe de Palo, que atualizam e enriquecem o flamenco.  

No vídeo abaixo, o músico bretão Alan Stivell toca a harpa celta e canta, em gaélico, com arranjo moderno, a melódica Brian Boru, composta por ele em homenagem ao heróico rei da Irlanda.



A Música da Ásia



Oriente Médio

Ásia Meridional (Sul da Ásia)

Ásia Oriental

Sudeste Asiático

Ásia do Norte e Ásia Central


Para facilitar a navegação pela música da Ásia, a intrincada e remota geografia do colossal continente asiático foi aqui dividida em cinco regiões.

Tão complexa quanto a geografia é a música da Ásia, cujas raízes históricas perdem-se nas profundezas do tempo e ainda hoje continuam a ser escavadas. Agora mesmo, no final do século vinte, foram descobertas na China flautas de 9 mil anos de idade, consideradas as mais antigas do mundo. E, além de instrumentos de sopro, a música chinesa tradicional utilizava variados instrumentos de corda e de percussão, como a cítara zheng e o tambor tanggu, que talvez tenham dado origem a cítaras e tambores semelhantes em toda a Ásia Oriental, do Japão à Mongólia.

Muito antiga e curiosa é também a música indiana, composta por uma infinidade de estilos musicais. Sua sonoridade encantou o Ocidente quando George Harrison introduziu a exótica cítara da Ásia Meridional (ou Sul da Ásia), no repertório dos Beatles. Harrison passou seis semanas na Índia, aprendendo a tocar o instrumento com ninguém menos que Ravi Shankar, o maior expoente da música clássica indiana, que poucos anos depois seria mundialmente incensado no célebre festival de Woodstock.

Já os países situados na porção continental do Sudeste Asiático, como Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, tiveram a música influenciada tanto pela cultura hindu quanto pela chinesa, enquanto os países insulares, como Indonésia e Filipinas, desenvolveram diferentes gêneros musicais.

Na Ásia do Norte e Ásia Central, onde estão situados os países da extinta União Soviética, como Rússia, Armênia e Uzbequistão, a música tem uma sonoridade típica. Sevara Nazarkhan, que costuma interpretar canções do folclore uzbeque com uma voz hipnótica, participou do dvd de Peter Gabriel, The Growing Up Tour, gravado em 2003.

Peter também mostrou sua paixão pela world music no antológico álbum Passion, lançado em 1989 com a trilha do filme A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese. Neste álbum fundamental, o músico britânico buscou a sonoridade de um Oriente Médio da época de Cristo, reunindo artistas extraordinários de várias partes da Ásia, como Nusrat Fateh Ali Khan, do Paquistão, L. Shankar, da Índia, e Kudsi Erguner, da Turquia.

No vídeo abaixo, L. Shankar toca a música Song for Everyone, com o consagrado saxofonista norueguês Jan Garbarek, acompanhados pelos músicos indianos Zakir Hussain e Trilok Gurtu. 

A Música da América



América do Norte  
América Central e Caribe  
América do Sul



Embora o rótulo Música da América dê margem a várias conotações e, talvez por isso mesmo, nem seja muito empregado, ele será útil no Viaje na Música para facilitar a navegação. É mais comum encontrar o termo Música da América Latina, em contraposição às obras produzidas na América Anglo-Saxônica (Estados Unidos, Canadá, Belize, Guiana e um punhado de ilhas do Caribe). De fato, a música desenvolvida nos países que sofreram a colonização do antigo Império Britânico (aquele em que o sol nunca se punha) é diferente da chamada música latina, mas esta é outra expressão banal, sem maior profundidade. Também não há muita semelhança, por exemplo, entre o festejo peruano e o tango argentino, e quase todo mundo sabe que o samba não é rumba. Rótulos servem apenas para ordenar arquivos e economizar tempo.

Seguindo um critério puramente geográfico, na prateleira de Música da América do Norte, foram colocados todos os gêneros musicais que se afirmaram nos Estados Unidos, no Canadá e no México, países influenciados por culturas distintas. Parece que no México pré-colombiano, os músicos maias e astecas tocavam apenas em solenidades religiosas, quando usavam uma espécie de flauta conhecida como tlapitzalli, um outro instrumento de sopro com o som parecido ao do trompete e vários instrumentos de percussão. Com a chegada dos exploradores espanhóis e dos povos africanos escravizados, a música no México temperou-se em rancheras, corridos e outros estilos, executados pelos famosos grupos de mariachi. Filho de um violinista de mariachi, Carlos Santana é o mais aclamado músico mexicano, desde sua apresentação no antológico Festival de Woodstock.

No Caribe, destaca-se a internacional música de Cuba, de ritmos fortes como a salsa, o merengue, a rumba e o mambo, além do bolero, do cha-cha-chá e da nova trova cubana, que revelou artistas da dimensão de Silvio Rodriguez. Mas a Jamaica espalhou o reggae de Bob Marley pelo mundo inteiro, e Guadalupe disseminou o zouk do grupo Kassav.

Já a música brasileira sobressai na América do Sul, tanto pela variedade de gêneros, do samba ao maracatu, da bossa nova ao frevo, do choro ao baião, quanto pelo alcance mundial de inúmeros talentos musicais, de Tom Jobim a Jorge Benjor, de Caetano Veloso a Milton Nascimento, de Vitor Ramil a Lenine. Porém, a cultura sul-americana é mais vasta, desde as raizes incaicas da música andina, onde ainda é soprada a siku (a indefectível flauta-de-pã dos grupos peruanos), até o sofisticado tango argentino, de Piazolla, Gotan Project e Bajofondo, sem esquecer a revolucionária nova canção chilena, de Violeta Parra e Victor Jara.

Grande Música da América! E ainda tem o Canadá, terra de Oscar Peterson e Neil Young, e os Estados Unidos, do blues, do jazz, do country, do pop, do techno, do funk, do hip hop, do rhythm and blues e do rock and roll.

No vídeo abaixo, o mexicano Santana e a beninense Angélique Kidjo conduzem Adouma, com músicos da estirpe de John McLaughlin, Chick Corea, Herbie Hancock, Chester Thompson e Wayne Shorter, entre outros.